Resenha Star Trek, novo filme
Junho 8, 2009
Resenha Star Trek
Eu gostei muitíssimo do filme. JJ Abrams teve como projeto unir o ritmo de ação e vislumbre épico de Star Wars com a densidade de personagens, questões éticas e roteiros elaborados de Star Trek. Eu creio que ele foi bem sucedido.
Coloco aqui o link para a excelente resenha do Jovem Nerd e meus comentários abaixo, muitos em debate com críticas feitas ao filme com as quais não concordo.
http://jovemnerd.ig.com.br/especiais/filmes/star-trek-resenha/
Segue:
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Paradoxo temporal terá de ser resolvido no futuro ou haverá caos!
Permitam-me discordar sobre o paradoxo ter que ser resolvido para salvar aquela linha temporal. A teoria que JJAbrams afirmou estar seguindo apoiado em algumas postulações a partir da física quântica é que ao voltarem no tempo Spock e Nero criaram toda uma realidade alternativa que existe em paralelo aquela de onde eles vieram. Mesmo que Kirk e Spock impeçam a destruição de Romulus no futuro, não vai alterar nada, a nova linha temporal se sustenta por si. DE fato, esta teoria elimina a necessidade de resolver paradoxos. Esse ponto de vista de fato pode entrar em contradição com o modo como o tema era tratado na série anteriormente, mas você pode entender que as tentativas eram de preservar a linha temporal original das personagens e que se falhassem, a nova linha, paralela à original, se manteria.
Sobre algumas críticas:
- Os sotaques eram forçados? Simon Pegg é inglês e Yelchin tem pai e mãe russos, ambos sabem o que estão fazendo com os sotaques de Scotty e Checkov.
- Como a imagem dos tripulantes da Narada apareceu nos monitores da Kelvin, a Federação sabia da ligação vulcanos/romulanos bem antes que na realidade original.
- Spock foi deixado naquele planeta para assistir a destruição de Vulcano e sobreviver com sua dor, Kirk foi expulso para fora da nave, mas não para a morte. É claro que ambos iam ser enviados perto de uma base da Frota para que sobrevivessem. Scotty estar lá era uma coincidência, forçada, mas não mais que a sorte historica que Cortés teve ao conquistar os Astecas, por exemplo.
- A trilha sonora é maravilhosa, combinando comtemporaneidade com elementos da trilha da série clássica;
- direção rápida? Thriller? Sim, para agradar o público atual. Desenvolvimento de personagens, dilemas éticos, também estão lá para agradar os fãs da série original e o público que curte esses aspectos;
Em resumo, um filme muito superior a Iron Man e Star Wars Ep.3
Acompanhei a série clássica, a nova geração, parte de DS9, filmes no cinema e vários livros. Star Trek tem temas recorrentes:
- o que significa ser um ser humano, o nosso equilíbrio entre razão e emoção, personificado basicamente em Spock e Data. Esse elemento está presente no filme na angústia de Spock e no seu choque com Kirk.
- condenação ao preconceito e opção pela multiculturalidade e mestiçagem, trabalho em equipe. O aspecto mestiço de Spock é ressaltado, bem como o preconceito que sofre por ser vulcano. A tripulação se mantem multiétnica.
- O papel dos EUA no mundo: agir sozinho ou atuar em conjunto. Spock do futuro falha ao garantir aos romulanos que ele sozinho resolveria o problema da supernova. Bush falhou ao querer resolver sozinho o problema do terrorismo internacional. Todas as vezes que Kirk tenta resolver sozinho, ele literalmente apanha. Quando age em equipe, a equipe vence.
- O que significa ser um líder. Autosacrifício. Capitão Robau e o pai do Kirk logo no começo exemplificam isso. Kirk não conseguindo aceitar uma situação sem saída na simulação do Kobaiashi Maru. Cap. Pike disposto a morrer. Kirk e Spock indo para a morte certa.
- O valor da amizade e do amor. Kirk e MCcoy, Kirk e Spock, Spock e Uhura.
- Otimismo em relação à evolução humana. A própria evolução das personagens no filme. Kirk vai de fanfarrão a líder, Spock lida melhor com seus sentimentos.
Enfim, creio que os temas estão lá, apenas a linguagem visual e o estilo de direção foram mudados para atrair o público jovem atual.
O objetivo do filme era reapresentar as personagens, ambiente e alguns temas da série clássica de Star Trek para uma nova geração em uma linguagem cinematográfica de thriller de ação.
Spock emotivo: no episódio “The Cage”, Spock na missão comandada por Pike, sorri. Em “Charlie X”, já na missão de Kirk, Spock sorri para Uhura quando ela brinca com ele. Em “Amok time”, Spock tem uma explosão emocional quando descobre que Kirk está vivo. Podemos então deduzir que Spock, como todos os vulcanos, tem emoções, ele busca controlá-las pela lógica. No filme, Spock está na fase da vida anterior a missão comandada por Pike e ainda aperfeiçoando seu autocontrole. A destruiçao de seu planeta natal e a morte da mãe efetivamente o abalam.
Por fim, Leonard Nimoy, o grande intérprete de Spock, que se recusou a participar do filme “Generations” por achar o roteiro ruim e a parte de Spock pouco relevante e até incongruente, aprovou o roteiro de Star Trek com as ações e interpretações previstas para Spock. Como ele é aposentado e e tem 78 anos, creio que podemos supor que Nimoy está sendo honesto.
Vulcano destruído é parte do universo alternativo criado pela viagem no tempo, bem como algumas mudanças de design da nave.
A nave Narada é de 129 anos no futuro! Seus escudos e armamento são muito acima do que as naves da época poderiam prever. Imaginem um cargueiro armado até os dentes hoje em dia para evitar os navios piratas da costa da Somália (isso porque a Narada originariamente é uma nave de mineração, mas os romulanos sempre puseram armas em qualquer nave) que voltasse para 1880 e enfrentasse uma frota da marinha inglesa. Os ingleses iam ser destroçados. O mesmo aconteceu com as naves de defesa de Vulcano e as naves da frota. Lembrem-se que os escudos da Narada resistiam aos ataques das naves da frota e seus mísseis arrebentavam os escudos das naves da frota.
Assim, podemos imaginar que resistiriam a explosão da USS Kelvin.
No episódio “Doomsday Machine” Kirk consegue destruir a máquina de destruição quando envia a USS Constelation garganta adentro do troço.
Jogar núcleos de dobra para escapar de buraco negro é tecnobabble na tradição de Star Trek, em vários episódios de Star Trek the Next GEneration eles faziam isso.
Viagens no tempo que criam realidades alternativas? The City on the Edge of Forefer, Yesterday Enterprise, First Contact etc etc etc
Não acho o filme ruim ou medíocre. Os temas apresentados são para mim fundamentais e não corriqueiros. O tema do preconceito me toca profundamente, seja em em X-Men, Harry Potter ou a Cor da Fúria. Bem como, sobre o que é fundamentalmente ser um ser humano, questão crucial da filosofia há milênios. O filme permite ser lido em camadas, das corriqueiras as mais profundas.
Remeter a fatos históricos de agora não necessariamente o tornará caduco, isso é algo que veremos no futuro. Tudo dependerá das leituras e releituras que serão feitas. O fim da tortura, do autoritarismo, do imperialismo eram considerados fatos consumados após a II Guerra Mundial. O fim do racismo, machismo, preconceitos religiosos etc foi anunciado nos anos 1960. Esses problemas retornam com força agora, sob nova capa. Enfim, creio que ainda vai demorar para a Humanidade se livrar desses ranços. E se o filme essas questões numa linguagem que pessoas menos experientes e cultas podem acompanhar, mesmo que subliminarmente, há um grande mérito aí.
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