Archive for Janeiro, 2008

Arquétipo, estereótipo, padrão

Desculpem a longa demora em escrever, estou com muito serviço e pouquíssimo tempo livre. Eu queria pesquisar antes de escrever, mas demorei tanto que o Rod nem deve se lembrar de que me pediu um post para clichês e estereótipos. Então vamos pela minha memória, pois extrapolando de um provérbio kung-fu: “antes feito que perfeito”.

Continue Reading 3 comments Janeiro 31, 2008

Referências de leitura

Ninguém lê uma obra isoladamente. Muito menos escreve um texto assim. O que quero dizer é que quando lemos um livro, uma imagem, um filme etc. Lemos não somente o que temos diante de nós, mas entrelaçando a obra com leituras anteriores. É assim, por exemplo, que reconhecemos os clichês. A partir de uma certa experiência de leitura. Aliás, mesmo quando lemos os clichês pela primeira vez, já tínhamos uma certa experiência, uma certa leitura de vida.

Esse aspecto é interessante, pois quem escreve, desenha, programa, cria, tem que ter uma certa noção das referências do seu público leitor para assegurar uma razoável compreensão de seu texto. Wil Eisner afirmava que nas histórias em quadrinhos sem diálogo era vital que o argumentista e desenhista conhecessem bem o universo cultural do leitor, pois decodificar corretamente imagens sem o auxílio do texto escrito é bem mais difícil.

É curioso quando surgem decodificações inesperadas justamente por diferenças nas bases de experiência de vida. Por exemplo, quando co-criei o RPG “Esferas” escolhi para o primeiro imperador Orcus o nome de “Augur”. Eu estava pensando em “Augustus”, o primeiro imperador de Roma e fiz uma versão mais curta e gutural do nome por se tratarem de orcus. Os dois co-autores que tinham uma cultura de videogames bem maior que a minha pensaram que Augur seria um anagrama de “Rugao” o vilão de um videogame da série King of Fighters. O que fez com que tivessem diversas expectativas sobre Augur que não correspondiam ao personagem que eu bolara.
Depois aproveitei o nome “Augur” para o deus-rei de “Terra Nova”, pensando novamente em “Augustus” o primeiro imperador de Roma que governou tão bem que foi divinizado após sua morte. Augur foi o primeiro rei humano e alcançou status divino após morrer.
Outro exemplo, quando ministramos o curso de Design de RPG na PUC-Rio, Eliane Bettocchi e eu mostramos algumas de nossas personagens de RPG para os alunos. Dentre as personagens que ela escolheu, Eliane mostrou “Tiana”, a poderosa guerreira que era dona de uma companhia de mercenários em TErra Nova. Um dos alunos perguntou se “Tiana” era uma alusão a uma personagem de animê de cujo nome não me lembro. Ele pareceu ficar um pouco desapontado quando explicamos que “Tiana” era apenas uma derivação de “Tatiana”, personagem de Eliane no RPG “Era do Caos”.

Essas questões de referências são importantes para compreendermos as diferenças entre plágio, homenagem e referências ou influências. Farei um post depois sobre isso.

2 comments Janeiro 1, 2008


Esta é uma experiência experimental

Aqui neste espaço exponho minhas idéias, testo minhas escrituras, busco interagir. Só? Me parece tanto...

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